Texto: Rezilda Paulino e Constantino Novela · Artigo publicado na Revista Banca & Seguros
A revolução já começou nas principais praças financeiras do mundo. Bancos recorrem à Inteligência Artificial para decidir, prevenir riscos e conhecer melhor os clientes. Em Moçambique, a tecnologia começa agora a entrar na agenda regulatória. Entre oportunidades e desafios, o país procura definir o caminho para uma transformação que poderá redesenhar o futuro do sistema financeiro.
Imagine entrar numa agência bancária sem falar com um único funcionário e, ainda assim, abrir uma conta, obter um crédito, esclarecer dúvidas, detectar uma tentativa de fraude antes mesmo de ela acontecer e receber aconselhamento financeiro personalizado. Imagine um banco capaz de identificar, em segundos, operações suspeitas, antecipar incumprimentos, monitorizar riscos sistémicos em tempo real e apoiar os supervisores na tomada de decisões complexas.
Este cenário já não pertence à ficção científica. Em vários mercados, faz parte do quotidiano. É precisamente este horizonte que começa agora a entrar no debate sobre o futuro do sistema financeiro moçambicano. A questão deixou de ser se a Inteligência Artificial chegará à banca nacional. A verdadeira questão é saber se o país conseguirá criar as condições regulatórias, tecnológicas, institucionais e humanas para tirar partido desta transformação sem comprometer a confiança, a estabilidade e a inclusão financeira.
Os alicerces da transformação
A IA tem potencial para alterar profundamente a forma como o sistema financeiro opera, mas a tecnologia, por si só, não produz essa transformação. A experiência internacional demonstra que os maiores ganhos não resultam apenas da adopção de novos algoritmos, mas da construção de um ecossistema capaz de lhes dar suporte. E é aí que reside um dos principais desafios para Moçambique.
O primeiro alicerce é a qualidade dos dados. Os modelos de IA aprendem a partir da informação disponível. Bases de dados incompletas, desactualizadas, fragmentadas ou pouco padronizadas reduzem significativamente a precisão das análises, comprometem a capacidade de prever riscos e podem gerar decisões injustas ou pouco fiáveis. Sem uma estratégia robusta de governação de dados, dificilmente a IA produzirá resultados consistentes.
O segundo pilar passa pela infra-estrutura tecnológica. A utilização intensiva de IA exige capacidade computacional, armazenamento seguro de grandes volumes de informação, conectividade fiável e elevados padrões de cibersegurança. Embora a digitalização da banca nacional tenha conhecido avanços importantes nos últimos anos, persistem desafios associados à modernização das infra-estruturas.
Artigo completo na edição da Revista Banca & Seguros.
